De repente mais de trinta,
em uma cronologia que não soube entender.
Contava em anos, coisas, expectativas,
aquilo que eu já deveria ser e fazer.
Tento colas os estilhaços de minha memória
em espelhos que reflitam o que eu sou.
Perco então mais tempo nessa amargura
de conceber que poderia estar onde não estou.
O tempo ensino, maltrata, apaga, revive
conduz um corpo à deriva, uma alma em desaprumo
mas não consegue destruir a essência
de uma criança que brinca de encontrar seu rumo.
Tempo não se conta, vive-se
A finitude é abstrata, eterniza-se.
Dessas lições, difícil aprendizado
pelo que não fiz, atormentado.
Sigo, vago, perdido, acorrentado.
Paulo Henrique Palácio
quarta-feira, 14 de março de 2012
terça-feira, 7 de junho de 2011
TARDE
Embaixo da asa de um sentimento nato
Contemplando o mundo por outros olhos
Percebo agora que senti frio,
De fato
Do romper do laço de bodas eternas
Da ruína da mentira paternal
Vi o mundo em preto e branco
Não sentia minhas pernas
Não sei tarde, ergo-me agora
No parcial controle do vôo de um sentimento renovado
Tento com olhar, palavras, contato
Resgatar a hora
Hora de articular uma palavra sem temor
Conjugar o verbo na sua presença
Sentir o sopro de vida
Em sua plenitude, o amor.
PH
Contemplando o mundo por outros olhos
Percebo agora que senti frio,
De fato
Do romper do laço de bodas eternas
Da ruína da mentira paternal
Vi o mundo em preto e branco
Não sentia minhas pernas
Não sei tarde, ergo-me agora
No parcial controle do vôo de um sentimento renovado
Tento com olhar, palavras, contato
Resgatar a hora
Hora de articular uma palavra sem temor
Conjugar o verbo na sua presença
Sentir o sopro de vida
Em sua plenitude, o amor.
PH
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Quase loucura
Pensamentos desconexos. Lembranças distorcidas. Felicidade fulgás. O feito. O depois. Onde estão minhas referências? Culpado? Vítima? O passado. Essa corda que amarra meus tornozelos.
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Inércia
Tentei sair desse estado relacionado na física. Mas acabei caindo no mesmo lugar. Muito esforço para nada. Ou melhor, vejo agora que nem tudo pode ser sempre flores mesmo. Digo isso porque recebi ao longo do ano convites de chegada quando minha intenção era a partida. Vieram recompensas materiais discretas, reconhecimento, mas qual a serventia disso tudo se eu mesmo não me reconheço? Eu tentei e errei, tentei e errei...sou burro? Pode ser. O ambiente que vivo me contagiou. Transformou-me em uma espécie de zumbi. E como todo problema que se cronifica, sua resolução depende de uma estratégia complexa de xadrez. E muito em breve direi: XEQUE-MATE!!!
texto curto, pausado, consequencia de um dia longo, frustrado
terça-feira, 30 de novembro de 2010
domingo, 21 de novembro de 2010
Despite all my rage, i am still just a rat in a cage
Depois do almoço de hoje corri para o aeroporto e embarquei para São Paulo. Motivo? Ver o show da banda Smashing Pumpkins, divisor de águas na minha percepção e afinidade musical, que há mais de 10 anos não vem ao Brasil. Vôo tranquilo, a turbulência estava apenas em minha cabeça. Ao pousar fui direto ao Play Center (não existe Beach Park por lá) simulando uma verdadeira maratona cuja premiação será ficar com o peito pressionado à uma grade, aquela barreira física que mantém um fã pelo menos a um distância segura de seu ídolo, mas suficiente para que os olhos e a imaginação possam fluir através do palco. São exatamente 4 horas da tarde e a apresentação está marcada para a meia noite. Sem problemas. Para quem já esperou quase três longas horas para uma consulta médica entediante, esse intervalo de tempo para vivenciar um momento de puro deleite passará em poucos minutos. Como disse, quando olhei o relógio já eram 11 horas. O calor era intenso, o metro quadrado já tinha sido reduzido a decímetros, meus movimentos já estavam limitados, as pernas emitiam também alguma informação, mas meu cérebro não a processava de maneira consciente. Circunstâncias perfeitas para um show de rock!!! E começou!!! Gritos, suor, lágrimas, braços, troncos e cabeças convulsivas, guitarras distorcidas, vocal poderoso, são eles...vieram...carne e osso...que riff...clááássico...fooooodaaaa....No empurra-empurra acabei caindo e bati a cabeça na grade. Fiquei desacordado talvez por alguns segundos. Quando abri os olhos, tudo escuro, frio e duas mulheres fudendo na minha frente. Porra, perdi o show!!! Nada. Acordei na hora!!! Corri, mas para o monitor do computador. Esse incidente durou apenas duas músicas. Desliguei a orgia para entrar na outra. Gás total, high definition e chat instantâneo na rede social!!! Ainda bem que a tecnologia dá algumas compensações para aqueles que não podem estar presentes em eventos, mas por quê não fui? Como um fã pode negar sua presença para um ídolo? Atitude zero...à esqueda. Mas será que Billy Corgan está chateado por isso? Interessante esse relacionamento, tão íntimo a ponto de declarar que salvou minha vida (por enquanto), etc, mas ao mesmo tempo tão distante, por não ter uma reciprocidade específica. Tenho todos os CDs, DVDs, bootlegs, algumas camisetas e depois de dez anos, uma condição financeira melhor, mas não fui! Enfim, busquei desculpas plausíveis para me confortar (e existem, claro, mas gostaria de ter incorporado a figura do fã incondicional para o qual as conseqüências de suas decisões justificam-se e são minimizadas diante do ídolo). Apesar disso, curti o show no “frontstage”, na solidão compartilhada por outros milhares de fãs, pude ver solos épicos (sonhando com o dia que estarei com um nível pelo menos semelhante), a reação da platéia e ao final de tudo, senti-me algo recompensado. Clássica promessa: da próxima vez, eu vou. Vida longa para nós, Billy!
PH
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